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Peças

Comprar peças usadas online: o que esclarecer antes de encomendar

7 min. de leitura

Uma peça usada pode manter economicamente vivo um carro que já não aguentaria a fatura de uma peça nova. Também pode ser comprada três vezes até uma servir. A diferença está quase sempre nas perguntas feitas antes de encomendar.

Onde uma peça usada é a escolha certa

A vantagem de preço é maior e o risco menor em peças que não se desgastam e cujo estado se vê: portas, capôs, para-choques e guarda-lamas na cor do carro, revestimentos do habitáculo, bancos, espelhos, faróis, peças de acabamento. Num carro mais antigo juntam-se ainda conjuntos cujo preço em novo ultrapassa o valor do próprio carro.

E depois há as peças que já ninguém fornece em novo. Em carros mais antigos, a peça usada não é a opção económica — é a única — e procurá-la é uma disciplina à parte.

Onde não vale a pena

Em peças de desgaste, uma peça usada quase nunca compensa: calços de travão, discos de travão, filtros, correias, amortecedores e embraiagens já gastaram parte da sua vida útil, e ninguém sabe quanta. A diferença de preço face à peça nova é pequena, e o trabalho de montagem é o mesmo.

Vale ainda mais cuidado com tudo o que sustenta a segurança e cujo histórico não se vê — peças da direção, componentes estruturais da suspensão vindos de um veículo de origem com danos de acidente. Para componentes pirotécnicos como airbags e pré-tensores dos cintos vigoram, em muitos países, regras próprias para a venda e a montagem; informe-se junto da autoridade competente ou de uma oficina especializada. E pneus de idade desconhecida são um tema à parte.

De onde vêm as peças usadas

A maioria das peças usadas vem de desmanches profissionais, que desmontam veículos, catalogam as peças e vendem-nas uma a uma. Muitos especializaram-se em marcas ou tipos de veículo e sabem, por isso, exatamente o que têm em stock. Juntam-se oficinas que revendem peças resultantes de reparações, e particulares que desmontaram ou modificaram um veículo por conta própria.

Para veículos raros ou mais antigos, os clubes de marca e os fóruns são muitas vezes a melhor fonte, porque é aí que se reúnem as pessoas que conhecem a peça e as suas variantes. Na Carvexia, o estado consta em cada artigo — novo, recondicionado ou usado —, e o vendedor por trás dele é o seu parceiro contratual.

O veículo de origem é metade da descrição

Um vendedor sério de peças usadas sabe de que veículo veio uma peça, e diz isso. Pergunte pelo modelo, pela motorização com o código do motor, pelo ano e pela quilometragem do veículo de origem — e pelo motivo do desmanche. Um dano frontal torna suspeitas as peças do compartimento do motor; um dano traseiro, quase nunca.

O número de identificação (VIN) do veículo de origem é a informação isolada mais valiosa, porque permite confirmar a versão e o equipamento. Nem todos o facultam. Quem não o pode indicar devia, pelo menos, conseguir fotografar o número OE gravado na própria peça.

Fotos da peça, não do catálogo

As imagens do catálogo mostram o aspeto que uma peça deveria ter. Precisa de fotos da peça concreta que vai receber: de todos os ângulos, com a etiqueta ou o número gravado visível, com as ligações, os pontos de fixação e os locais onde os danos são habituais. Peça especificamente a vista que lhe falta — um vendedor que tem a peça à sua frente resolve isso num minuto.

Em peças de carroçaria, o que conta é o código da cor, não o nome da cor. Dois tons de prateado do mesmo fabricante podem, lado a lado, parecer tão diferentes que a repintura se torna inevitável — e, nesse caso, perde-se a vantagem de preço de uma peça já na cor do carro.

Eletrónica: a peça que pertence a outro carro

Módulos eletrónicos, quadros de instrumentos, chaves e tudo o que comunica com o imobilizador estão, em muitos veículos, codificados para o carro de onde vieram. Montada noutro veículo, a peça não faz nada ou faz o que não deve, até ser adaptada — e essa adaptação exige, consoante o fabricante, ferramenta própria, acesso aos seus sistemas, ou ambos.

Por isso, pergunte à sua oficina, antes de comprar, se consegue programar a peça e quanto custa. Por vezes, um módulo usado com a respetiva adaptação sai mais barato do que um novo; por vezes é ao contrário; e por vezes simplesmente não é possível. Essa resposta tem de vir antes da encomenda.

Estado, garantia legal, devolução

A forma como uma peça é descrita — testada, verificada, retirada em funcionamento — é uma declaração do vendedor, e vale tanto quanto a sua disposição para a assumir. Os desmanches profissionais dão muitas vezes garantia própria sobre peças usadas; em vendedores particulares, a garantia legal está excluída em muitos países. O que vale exatamente depende da lei do país do vendedor e das suas condições.

Esclareça por escrito, antes de comprar, duas coisas: se pode devolver a peça se não servir, e o que acontece se ela não funcionar depois de montada. A segunda pergunta é a mais importante, porque nessa altura já há mão de obra paga.

Se a diferença entre nova e usada for grande demais, a peça recondicionada é muitas vezes a melhor resposta: revista, com garantia e mediante a entrega da peça antiga.

Enviar peças pesadas e volumosas

Motores, caixas de velocidades, portas e para-choques não viajam em caixa de correio. Em peças grandes, pergunte antecipadamente pelo tipo de envio, pela embalagem e se os líquidos foram drenados. Uma caixa de velocidades que segue sem óleo mas com as ligações abertas dentro de uma caixa chega de forma diferente de uma com as aberturas fechadas.

É prático fazer a entrega diretamente na oficina que vai montar a peça. Combine isso previamente com a oficina e ponha o nome dela na morada, para que a peça seja corretamente identificada na receção. E abra a encomenda assim que ela chegar: um dano de transporte só pode ser reclamado enquanto for recente.

Pagar e guardar comprovativos

Pague de forma rastreável e guarde a confirmação da encomenda, a descrição do artigo e as fotos. Uma transferência para um particular que nunca viu é, numa peça, a mesma armadilha que num carro — só que com valores menores, por isso é mais vezes subestimada.

Na Carvexia, o pedido de uma peça vai primeiro para o vendedor; o pagamento é feito depois com cartão através do Stripe Checkout. O stock é debitado quando o pagamento é confirmado, não no momento da encomenda. O parceiro contratual para a fatura, a garantia legal e a devolução é o vendedor que envia a peça — o seu nome consta no artigo e em cada mensagem sobre a encomenda.

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