Custos
Carregar pelo caminho: do que se compõe o preço
8 min. de leitura
O mesmo quilowatt-hora custa, no mesmo posto, valores muito diferentes consoante o contrato. Quem conhece as quatro parcelas de que se compõe o preço consegue, pela primeira vez, escolher o seu tarifário com sentido.
Um preço, quatro parcelas
O que se fatura num posto de carregamento público compõe-se de até quatro elementos, e nem todos os fornecedores usam todos. O preço de energia é calculado pela eletricidade carregada em quilowatt-hora. A taxa de sessão aplica-se uma vez por carregamento, independentemente da quantidade. Uma taxa de tempo ou de ocupação é calculada pela duração, muitas vezes só a partir de um determinado tempo de paragem. A sobretaxa de roaming acresce quando se carrega num posto que não pertence ao seu fornecedor.
Qual destas parcelas domina depende do próprio comportamento. Quem carrega raramente e depois muito, paga sobretudo preço de energia. Quem recarrega frequentemente e pouco de cada vez, paga sobretudo taxas de sessão. Quem almoça junto ao posto, paga sobretudo tempo. Um tarifário que é vantajoso para um é o mais caro para outro.
Aqui não constam valores concretos, e isso é propositado: variam por país, fornecedor, local e momento, e mudam continuamente. O que não muda é a composição — e com ela dá para avaliar qualquer oferta.
Pagar diretamente ou ter contrato
Há dois caminhos para um carregamento. No pagamento direto — muitas vezes chamado ad-hoc — inicia-se o processo sem relação contratual, por cartão, app ou código no aparelho. É cómodo e, em regra, o caminho mais caro, porque o operador não tem à sua frente um cliente com contrato e calcula em conformidade.
O segundo caminho é um contrato com um fornecedor de carregamento. Este traz, em regra, preços de energia mais baixos e uma faturação única em muitas redes, mas custa muitas vezes uma mensalidade fixa. A conta é simples: a mensalidade a dividir pela poupança por quilowatt-hora dá a quantidade a partir da qual o contrato compensa. Quem carrega menos sai melhor sem contrato.
Para quem carrega em casa e só no estrangeiro em postos públicos, geralmente a escolha certa é um tarifário sem mensalidade — mesmo que o preço de energia seja mais alto. Para quem não tem forma de carregar em casa, a lógica inverte-se. Esta única pergunta — onde carrega, na maior parte das vezes? — decide por completo a escolha do tarifário.
Roaming: porque o mesmo posto tem dois preços
Por trás de cada posto de carregamento estão duas empresas. Uma opera o posto e vende potência de carregamento; a outra tem-no a si como cliente e fatura consigo. Se ambas forem a mesma empresa, aplica-se o tarifário próprio. Se não forem, o processo passa por um acordo de roaming — e o fornecedor que fatura consigo soma a sua margem ao preço do operador.
Por isso, antes da paragem para carregar, compensa olhar para a app: em regra, mostra o preço que o seu fornecedor cobra naquele posto concreto, e este pode ser diferente do preço que aparece no visor. Em viagens mais longas através de fronteiras, esta é a maior alavanca isolada — a mesma marca de posto pode ser faturada, no país vizinho, em condições completamente diferentes.
Do ponto de vista legal, a indicação de preço está regulada. Como o preço deve ser apresentado e com base em que pode ser calculado, estabelecem-no as normas nacionais de indicação de preços e de metrologia; são competentes as respetivas entidades de metrologia e de fiscalização de mercado. Quem não conseguir perceber uma fatura tem ali um serviço de reclamações.
Porque a corrente contínua custa mais do que a alternada
Um posto de corrente alternada é, no essencial, um cabo comutado com sistema de medição. Um posto de corrente contínua contém toda a eletrónica de potência que, no caso da corrente alternada, fica dentro do carro: retificador, filtro, arrefecimento, muitas vezes um cabo arrefecido. O aparelho é mais caro, a sua vida útil mais curta, e quer ser amortizado.
A isto junta-se a ligação à rede. Um local com vários pontos de carregamento rápido precisa de uma potência de ligação equivalente à de uma pequena empresa. Em muitos países, as tarifas de rede não se calculam apenas pela energia consumida, mas também pela potência máxima consumida — um local paga, por isso, por picos que talvez só ocorram poucos dias por ano.
E, por fim, o próprio local: espaço numa saída de autoestrada, iluminação, cobertura, manutenção, processamento de pagamentos. Tudo isso está embutido no preço por quilowatt-hora, porque não há outra parcela por onde se possa repartir. Quem carrega em casa não paga nada disso — essa é a verdadeira razão da diferença, não a energia em si.
Taxas de ocupação e a curva de carregamento
As taxas de ocupação têm um objetivo compreensível: um lugar de carregamento rápido onde um carro continua a carregar aos noventa e cinco por cento com apenas alguns quilowatts é inútil para todos os outros. A taxa não regula, portanto, o consumo, mas a ocupação do lugar.
Mas atinge precisamente a zona em que a curva de carregamento já é achatada. Como a potência cai com o aumento do nível de carga, o último quilowatt-hora não só custa mais tempo, como, sob uma taxa de tempo, também custa mais dinheiro. Os dois efeitos reforçam-se — e por isso a regra de seguir viagem entre setenta e oitenta por cento não é uma questão de estilo, é uma decisão de custo.
A exceção é o carregamento no destino. Num posto de corrente alternada, durante a noite no hotel ou de dia no trabalho, a curva não tem qualquer papel, porque a potência já é baixa de qualquer forma. Ali, a taxa de ocupação — se existir — é o único motivo para mudar o carro de lugar de manhã.
As perdas também correm por sua conta
Fatura-se o que passa pelo contador, não o que chega à bateria. Entre os dois há perdas, e não são pequenas. No carregamento em corrente alternada, o carregador de bordo trabalha com um rendimento claramente abaixo dos cem por cento; parte da energia transforma-se em calor. Quanto menor a potência de carregamento, mais pesa o consumo próprio da eletrónica do carro — na tomada doméstica, a perda percentual é a maior.
No carregamento em corrente contínua, não há carregador de bordo, mas surgem outras parcelas: o condicionamento da bateria, o arrefecimento durante o carregamento e, no verão, a climatização do habitáculo, se o condutor permanecer no carro. Também esta energia passa pelo contador.
Na prática, isto significa: o consumo que o carro mostra fica sistematicamente abaixo do que a fatura revela. Quem quiser saber os seus custos por cem quilómetros calcula com a energia faturada, não com o indicador de bordo. A diferença situa-se na ordem de alguns por cento até mais de um décimo, consoante o tipo de carregamento e a temperatura.
Como manter a parcela pequena
Não há tarifários secretos, mas há comportamentos com efeito mensurável. Estes cinco pontos fazem a maior diferença:
A maior alavanca está, e não por acaso, em primeiro lugar: entre a sua própria ligação e um posto de carregamento rápido na autoestrada há, em quase todos os tarifários, uma diferença de várias vezes, e nenhum estilo de condução recupera essa diferença.
- Carregar em casa ou no trabalho sempre que possível. Tudo o resto é a exceção, não a regra.
- Verificar o preço na app antes de sair da autoestrada — não quando o cabo já está encaixado.
- Usar corrente alternada onde o carro já fica parado muito tempo, e corrente contínua só onde o tempo é decisivo.
- Duas paragens curtas em vez de uma longa: aproveita a parte íngreme da curva de carregamento e evita a taxa de tempo na parte achatada.
- Pré-condicionar a bateria antes da paragem, para que o tempo de carregamento não comece com o aquecimento.
O que disto conta na compra
Duas características do carro têm impacto direto nos custos de carregamento. A primeira é o consumo: determina quantos quilowatt-hora é preciso comprar. A segunda é a potência de carregamento: determina quanto tempo o carro fica num posto que fatura por tempo ou que tem taxa de ocupação.
A terceira característica é menos evidente e, no dia a dia, igualmente importante: a capacidade de carregar corrente alternada de forma trifásica com potência total. Um carro que aceita onze quilowatts num posto comum de corrente alternada resolve o dia a dia com os postos mais baratos. Um que ali só carrega de forma monofásica acaba por recorrer à corrente contínua — e esse é o caminho mais caro.