Na estrada
Avaria no estrangeiro: a ordem certa
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Uma avaria no estrangeiro raramente é um problema técnico e é quase sempre um problema de organização. A parte técnica fica a cargo de outra pessoa. O que decide é a ordem — e os primeiros dois minutos decidem o resto.
Os primeiros dois minutos
Ligue os quatro piscas antes de travar — não depois. Enquanto o carro ainda anda, é um veículo e não um obstáculo; aproveite a inércia para sair da faixa de rodagem. Uma saída, uma zona de paragem, um parque de estacionamento, e só como último recurso a berma de emergência, o mais à direita possível e com as rodas viradas para fora da via.
Numa via rápida, o carro é o local mais perigoso. Todos saem pelo lado oposto ao trânsito e vão para trás da barreira de proteção, mesmo à chuva, mesmo com crianças, mesmo que deva demorar pouco tempo. Ninguém fica à frente ou atrás do veículo, e ninguém permanece sentado dentro dele para telefonar.
O colete refletor veste-se antes de abrir a porta, não depois — só serve enquanto está vestido, precisamente quando é preciso ser visível. Se e a que distância atrás do veículo se coloca um triângulo de sinalização, se é exigido colete para todos os ocupantes e se alguma destas obrigações sequer existe é algo que cada país regula à sua maneira. Acima disso está a regra prática: o aviso tem de estar onde um condutor o vê antes de o ver a si — numa via rápida, portanto, bem mais atrás do que parece necessário.
Onde está, na linguagem do socorro
Uma indicação de localização como «na autoestrada em direção a sul» não ajuda ninguém. Nas autoestradas europeias há, na berma, postos quilométricos ou painéis com a distância, e é exatamente essa informação que os centros de emergência procuram — número da via, quilómetro, sentido de marcha. Estão mais próximos do que se pensa; muitas vezes basta olhar para a frente e para trás.
O poste SOS na berma tem uma vantagem que nenhum telefone tem: está fixo num local e informa automaticamente o operador de qual poste está a chamar. Além disso, liga à central local competente, e não a uma central noutro país. Quem pode escolher e consiga lá chegar em segurança — atrás da barreira, nunca a andar pela berma de emergência — deve usar o poste.
Se faltarem os dois, ajuda uma descrição por esta ordem: país, número da via, sentido de marcha com o destino indicado, última saída ou área de serviço passada, e um elemento visível. Os veículos mais recentes têm ainda uma chamada de emergência automática, que transmite a posição e os dados do veículo; onde e como se aciona está no manual do veículo, uma informação que se lê antes da viagem, não que se procura durante ela.
A quem ligar, e por que ordem
Se há pessoas em perigo ou feridas, só existe uma ordem: primeiro o número de emergência. O número de emergência europeu funciona nos Estados-membros e chega à polícia, aos bombeiros e à emergência médica; muitos países mantêm ainda números próprios. Uma assistência em viagem não é um número de emergência nem o substitui.
Depois vem a pergunta que a maioria faz pela primeira vez à beira da estrada: afinal, que assistência em viagem tenho eu? A cobertura pode vir de várias fontes, e são contratos diferentes com âmbitos diferentes. Quem só procura essa resposta na berma acaba a ligar para o prestador errado e a pagar do próprio bolso.
- O seguro automóvel, se incluir uma cobertura de proteção ou um pacote de assistência em viagem.
- A inscrição num clube automóvel — com a questão de saber se está associada à pessoa ou ao veículo, e se sequer é válida no estrangeiro.
- A garantia de mobilidade do fabricante, que pode estar condicionada à manutenção feita na rede da marca e se prolonga a cada revisão.
- Um cartão de crédito ou um seguro de viagem, caso a viagem tenha sido paga por essa via — aqui a cobertura depende muitas vezes de uma condição que ninguém lê.
- O contrato de leasing ou de subscrição, que pode ter uma linha de apoio própria e regras próprias para a escolha da oficina.
O que a assistência quer saber
Ao telefone tudo corre mais depressa se já tiver as respostas prontas: matrícula e VIN, localização exata, o sintoma em palavras simples, se o veículo ainda anda e vira, quantas pessoas estão presentes e se há crianças, idosos ou animais entre elas, o destino da viagem, e se é preciso continuar a viagem ou arranjar alojamento.
O sintoma descreve-se como observação, não como diagnóstico. «O carro vai aos solavancos e uma luz amarela está acesa» leva à ajuda certa; «o injetor está avariado» leva por vezes a um veículo de assistência que parte com a peça errada. Na dúvida, descreva o que ouviu, viu e cheirou, por essa ordem.
E há uma coisa que convém anotar sem falta: o número do processo ou do sinistro. Tudo o que vem depois — retorno de chamada, pedido de reboque, carro de substituição, reembolso — refere-se a esse número. Anote-o em papel, não só no telemóvel, cuja bateria costuma acabar precisamente nesta situação.
Reboque: para onde, e quem decide
O reboque leva o veículo, em regra, à oficina mais próxima que o consiga receber — não à que teria escolhido. Nas autoestradas com portagem, junta-se ainda o facto de a concessionária ou a polícia poderem determinar quem pode fazer o resgate e até onde; essa remoção da via é muitas vezes um serviço à parte, com fatura própria, e não faz parte do que a assistência paga.
Na oficina estrangeira vale a mesma disciplina que em casa, só que é mais difícil de manter: primeiro o diagnóstico, depois o orçamento, ambos por escrito, e a autorização para trabalhos adicionais expressamente reservada. Quem fica em apuros tende a assinar tudo o que prometa retomar a viagem. É precisamente aí que ajuda o número do processo: em muitos casos, a assistência pode falar diretamente com a oficina.
Peça que a fatura discrimine peças e mão de obra separadamente, mesmo que não leia o idioma. Uma fatura fechada, sem discriminação, é difícil de reembolsar e ainda mais difícil de contestar depois de já estar em casa.
Reparar, trazer de volta ou deixar ficar
Reparar no local é a decisão certa quando se trata de uma peça de desgaste, a peça está disponível e a estadia já vai durar mais tempo de qualquer forma. É a decisão errada quando o diagnóstico é incerto ou o trabalho envolve uma marca rara naquele país — nesse caso espera-se por uma peça vinda de fora de fronteira, e paga-se por cada dia de imobilização.
O transporte de regresso está incluído em muitos contratos de assistência, mas depende de condições que constam do contrato, não daqui: normalmente uma duração mínima da reparação e um limite máximo, que pode ser calculado em função do valor do veículo. Pergunte por essa condição antes de aceitar uma reparação que fique mesmo abaixo dela.
Deixar o veículo no estrangeiro é possível e tem consequências em três frentes: junto da entidade que o mantém registado, junto da seguradora e — assim que entra em jogo uma fronteira aduaneira — junto da alfândega do país onde fica. Quem considerar esta opção deve esclarecê-la com estas três entidades, não com a oficina que precisa do espaço.
Documentos e comprovativos
Os contratos de assistência reembolsam sobretudo mediante comprovativo, e um comprovativo num idioma que não se lê continua a ser um comprovativo. Guarde tudo: recibo do reboque, fatura da oficina, contrato do carro de aluguer, fatura do hotel, bilhetes de transporte, e fotografe cada papel de imediato, para que não falte no final da viagem.
Junte ainda três fotografias que mais tarde valem mais do que parecem no momento: o veículo no local onde ficou imobilizado, o conta-quilómetros e o painel com as luzes de aviso acesas. Respondem a perguntas que, daqui a quatro semanas, alguém que não esteve presente irá fazer.
O que separa uma avaria de um desastre
Tudo o que ficou dito acima pode preparar-se em casa em vinte minutos. Os números das coberturas que realmente existem, numa folha de papel no porta-luvas, com o número da apólice ou de sócio. Uma fotografia dos documentos de registo e do comprovativo do seguro no telemóvel. Um cabo de carregamento e uma bateria portátil que funcione independentemente do carro.
A isto juntam-se os dados que não se consultam na berma da estrada: tipo de lâmpada, especificação do óleo, pressão dos pneus com carga, onde fica o olhal de reboque e a chave para a porca antifurto das jantes. Isto não é precaução para o pior cenário, é simplesmente conhecer o próprio carro — e é exatamente isso que a preparação de uma viagem longa proporciona.