Uso diário
O que deve estar no carro — e o que a lei exige onde conduz
8 min. de leitura
Não existe um equipamento obrigatório europeu. Existem vinte listas nacionais que se sobrepõem, mas não coincidem — e, ao lado, uma segunda lista, que ninguém impõe e que, numa emergência, ajuda mais.
Duas listas diferentes
Uma lista contém o que tem de se levar. É curta, é regulada a nível nacional e é fiscalizada na estrada. A outra contém o que realmente ajuda quando algo acontece. É mais longa, ninguém a verifica, e sobrepõe-se à primeira menos do que se espera.
As duas juntas dão uma bolsa que está sempre no mesmo sítio. O resto deste artigo explica porque é que essa bolsa não nasce de uma lista encontrada na internet, mas de duas perguntas: por que países vou passar, e do que precisa exatamente este carro?
O equipamento obrigatório é uma questão de cada país
Há objetos que são obrigatórios num país e que no país vizinho nem sequer são recomendados. Algumas regras só valem para veículos matriculados nesse país, outras para qualquer veículo na estrada — esta diferença é a que mais surpreende os viajantes. E algumas só se aplicam numa estação do ano ou apenas em troços sinalizados.
Que tipo de objeto é exigido em algum lado pode enumerar-se; quais deles valem para o seu itinerário, não. Vinculativa é a autoridade de trânsito ou o clube automóvel de cada país — e para cada país por onde passa, também para aquele que apenas atravessa. Um país de trânsito conta por inteiro.
A fiscalização faz-se na estrada, e um objeto em falta pode pôr fim à viagem no sítio onde falta. O valor de uma coima é, aqui, a grandeza menos interessante: muda, difere e é quase sempre menor do que o custo de uma viagem interrompida.
- Triângulo de sinalização — em alguns países um, noutros dois, em alguns nenhum.
- Colete refletor — nalguns sítios para todos os ocupantes e, em parte, expressamente ao alcance no habitáculo e não na bagageira.
- Caixa de primeiros socorros, muitas vezes com data de validade no conteúdo.
- Lâmpadas sobresselentes, extintor, alcoolímetro — cada um obrigatório nalgum sítio e noutros não.
- Equipamento de inverno: pneus com determinada marcação, correntes de neve, em parte só em situações específicas ou em estradas sinalizadas.
- Vinheta ambiental, vinheta de portagem ou dispositivo de portagem — a obter no ponto de emissão oficial, não na área de serviço.
O que precisa quando algo realmente acontece
Esta lista não consta de nenhuma norma, e é a que conta. Responde a três situações: está no escuro na berma da estrada, espera mais tempo do que pensava, ou tem de documentar algo. Tudo nela é pequeno, barato e fica anos por usar.
Duas coisas são regularmente subestimadas. A primeira é uma lanterna com bateria própria — o telemóvel é, precisamente na situação em que precisa de luz, o aparelho cuja bateria guarda para a chamada. A segunda é papel: os números da assistência em viagem, da apólice e da seguradora, impressos, porque um telemóvel sem bateria não conhece números.
- Um colete refletor por pessoa, ao alcance no habitáculo, não na bagageira.
- Lanterna com bateria própria, powerbank e um cabo de carregamento que sirva ao seu telemóvel.
- A Declaração Amigável de Acidente Automóvel (o formulário europeu de acidente) e uma caneta que escreva — ambos no porta-luvas, ambos verificados antes da viagem.
- Cópias ou fotografias dos documentos de matrícula e do comprovativo do seguro, no telemóvel e em papel.
- Água, uma camada quente e uma manta de emergência — para a espera, não para o acidente.
- Luvas descartáveis e um pano. Quem já mediu o nível do óleo no escuro sabe porquê.
As coisas que só servem a este carro
Há uma terceira categoria, que não pode constar de nenhuma lista geral, porque é diferente para cada veículo. É nela que uma avaria se resolve ou encalha: ferramenta que pertence ao carro e dados que só valem para este carro.
O ponto que quase todos ignoram: o olhal de reboque. Nos veículos modernos é uma peça de aparafusar, guarda-se num sítio determinado, e o encaixe para ele está escondido atrás de uma tampa no para-choques que é preciso conhecer. Procure ambos uma vez, com tempo seco, e não na berma da autoestrada.
- A chave do fecho antirroubo das jantas e a chave de rodas adequada a estes parafusos.
- Macaco com o encaixe correto, e saber onde ficam os pontos de apoio no fundo do veículo.
- Pneu sobresselente ou kit de reparação de furos — no kit, atenção à data de validade do frasco de selante e se o compressor funciona.
- O olhal de reboque e a ferramenta com que se abre a tampa.
- Uma pequena reserva de óleo do motor com a especificação que o seu motor exige — não um óleo qualquer da prateleira de uma estação de serviço.
- Anotado: tipo de lâmpada, binário de aperto dos parafusos das rodas, pressão dos pneus vazio e carregado, código do rádio.
O que se acrescenta no inverno
Raspador de gelo e uma vassoura que chegue ao tejadilho — a neve do tejadilho vai parar ao para-brisas à primeira travagem forte, e em muitos países um veículo não limpo de neve é expressamente proibido. Além disso, descongelante, luvas e, onde realmente neva, uma pequena pá.
Correntes de neve precisa quem conduz em regiões onde podem ser obrigatórias. Mais importante do que tê-las é a prática: as correntes montam-se uma vez em casa, em seco, com luz do dia, com calma. A primeira vez, no escuro, numa subida, com uma fila de carros atrás, é o momento errado para aprender.
E a água do limpa-para-brisas: tem de estar misturada para a temperatura a que realmente conduz, não para a de casa. Um lava-vidros congelado é, no inverno, um problema de visibilidade e não de conforto — uma película de sal no vidro contra o sol baixo tira por completo a visibilidade.
O que não deve estar no carro
Qualquer objeto pesado no habitáculo que não esteja fixo transforma-se num projétil numa travagem a fundo. Isto vale para o extintor que rola solto na bagageira, tal como para a ferramenta no espaço dos pés. Numa carrinha ou SUV com os bancos rebatidos, não há divisória entre a carga e as cabeças — ali deve haver uma rede ou uma grade de separação.
Não devem estar no carro, além disso, recipientes sob pressão e tudo o que tolera mal o calor: aerossóis e isqueiros num veículo que está ao sol, e baterias que aquecem no habitáculo de um carro quente. Um carro ao sol fica claramente mais quente do que o ar exterior, e isso durante horas.
E duas coisas por razões que nada têm que ver com técnica. A chave suplente nunca viaja no carro. E documentos que indicam uma morada, juntamente com o comando da porta da garagem no mesmo veículo, são um convite — quem separa ambos separa também o risco.
Uma ordem que funciona numa emergência
Uma bolsa, sempre no mesmo lugar, verificada duas vezes por ano — de preferência quando, de qualquer modo, se mudam as rodas. É todo o truque: a verificação fica presa a uma data que já existe e, por isso, não falha.
Verificam-se então as coisas com data: a caixa de primeiros socorros, o frasco de selante do kit de reparação, o extintor, as pilhas da lanterna e da powerbank. E a caneta no porta-luvas, que depois de dois anos de calor deixa, sem falta, de escrever.
A única verificação antes da fronteira
Antes de uma viagem ao estrangeiro respondem-se três perguntas, e para cada país do percurso: o que tenho de levar? O que não posso levar ou não posso usar — alguns países proíbem detetores de radares, outros restringem o uso de uma dashcam? E de que vinheta, vinheta ambiental ou outra solução de portagem preciso, e onde fica o ponto de emissão oficial?
Estas três perguntas custam, no total, um quarto de hora antes da partida. As respostas obtêm-se junto das autoridades e dos clubes dos países em causa — são a única fonte que muda quando uma regra muda.