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Retoma: deixar o carro antigo no stand
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Entregar o carro antigo ao stand e sair do parque com o novo é cómodo, e a comodidade tem um preço. A questão não é se o stand paga menos do que um comprador particular — isso acontece quase sempre —, mas sim se a diferença é maior do que aquilo que uma venda particular lhe exige.
Dois negócios num único contrato
Uma retoma é, na verdade, dois contratos: você vende ao stand o seu veículo, e ele vende-lhe o dele. Como ambos ficam na mesma folha, o valor pode deslocar-se livremente entre as duas linhas — um preço de compra generoso pode estar a ser pago com um desconto menor, e vice-versa.
Por isso, negoceie em duas etapas: primeiro o preço do veículo que compra, como se não houvesse retoma em jogo, depois o preço de compra do seu carro antigo. Como negociar o primeiro valor está descrito no artigo sobre a negociação do preço.
Como um stand forma o preço de compra
Um stand calcula ao contrário. Estima o preço a que pode voltar a vender o seu veículo e subtrai-lhe tudo o que vai surgir até lá: preparação, reparações, pneus novos ou uma manutenção pendente, a responsabilidade que assume perante o seu cliente como vendedor profissional, o capital que fica imobilizado durante o tempo em stock, e a sua margem.
Se o seu veículo não encaixar no stock dele — um carro pequeno num stand de gama alta, um carro antigo com muitos quilómetros —, ele revende-o a outro stand ou através de um leilão, e é com o preço que obtém aí que faz as contas. Um preço de compra abaixo do preço de mercado particular não é, por isso, uma lesão, mas sim a consequência desta conta.
Quanto vale a comodidade
A venda particular costuma render mais, mas exige algo: anúncio e fotografias, responder a pedidos de contacto, marcações com desconhecidos, test-drives, o risco de um esquema de pagamento fraudulento e, havendo um defeito, possivelmente uma discussão depois da venda. A isto soma-se o tempo entre a venda e a entrega do novo veículo, período em que se fica sem carro ou é preciso segurar dois.
Na retoma, tudo isto desaparece: uma marcação, uma assinatura, o carro antigo fica lá, o novo sai consigo. Calcule com honestidade quanto isso vale para si. Para uns é a maior parte da diferença, para outros quase nada — e quem quiser vender de forma particular pode anunciar gratuitamente na Carvexia.
O número que conta: o valor da diferença
Compare as propostas de vários stands não pelo preço de compra, mas pelo valor que acaba por pagar a mais: preço do veículo novo menos o preço de compra do antigo. Um stand que ofereça pouco pelo seu carro mas ceda bastante no próprio preço pode sair mais barato do que um com uma proposta de compra brilhante.
Para avaliar o seu carro antigo, precisa de um ponto de referência próprio. Veja a que preços estão a ser anunciados veículos comparáveis — mesmo modelo, quilometragem semelhante, ano semelhante — e subtraia o que um stand teria de investir antes de o revender. O resultado é o intervalo em que se situa um preço de compra justo.
Pedir várias propostas
Um único preço de compra não é informação de mercado, é apenas uma proposta. Peça duas ou três, a stands que possam efetivamente aproveitar o seu veículo no stock — um stand que representa a marca paga muitas vezes mais por um carro bem cuidado dessa marca do que um que tenha de o repassar.
Um preço indicado sem visita fica sempre condicionado a essa visita. Conte com o facto de poder mudar depois, e só compare propostas quando assentarem na mesma base: a mesma quilometragem, as mesmas informações sobre defeitos, o veículo já visto.
Preparar como para uma venda particular
O stand avalia o que vê e o que consegue comprovar. Um carro lavado, com todos os documentos, todas as chaves e um livro de revisões completo é avaliado de forma diferente de um em que todas as perguntas são respondidas com «tenho de verificar». Pequenos defeitos que se resolvem em conta compensam muitas vezes reparar antes; os grandes, raramente.
E diga o que sabe. Também um stand confia nas suas informações sobre acidentes, defeitos e quilometragem, e elas ficam no contrato como as suas garantias. Um dano ocultado que apareça na preparação custa-lhe mais do que um mencionado abertamente na avaliação.
O momento da entrega
Entre o contrato e a entrega passam muitas vezes semanas, sobretudo quando o veículo novo ainda vai ser entregue. Nesse período, continua a conduzir o antigo. Registe no contrato com que quilometragem e em que estado o entrega, e o que vale se algo acontecer entretanto — caso contrário, faz-se uma nova avaliação no momento da entrega.
Esclareça também o que acontece se a entrega do veículo novo se atrasar: o preço de compra continua válido, ou caduca? É habitual um preço de compra com data de validade, e essa data deve corresponder ao prazo de entrega.
Quando ainda há um crédito sobre o carro antigo
Se o veículo antigo ainda estiver a ser financiado ou em leasing, pode não lhe pertencer só a si. Um stand pode liquidar diretamente com o banco o saldo em dívida e acertar o resto consigo; para isso, precisa de uma confirmação de liquidação por escrito do banco, com o valor exato. Num contrato de leasing, é a sociedade de leasing que decide se e por que preço o veículo pode ser liquidado.
A ordem dos passos e os pontos mais delicados estão descritos no artigo sobre a compra de um veículo financiado — na direção oposta, mas com os mesmos documentos.
Quando a venda particular compensa mais — e quando não
No final, a conta é simples: o valor adicional da venda particular contra o esforço e o risco que ela implica. Ambos podem ser estimados, e a estimativa varia muito consoante o veículo e a situação pessoal.
Se a venda particular compensa depende menos do carro do que da sua situação. Uma orientação geral que se revela útil na prática:
- Modelo procurado, bem cuidado, bem documentado: venda particular. Aqui, a diferença face ao preço do stand é maior, e os compradores existem.
- Veículo mais antigo com defeitos conhecidos ou trabalhos pendentes: retoma ou venda a um stand. Os compradores particulares tendem a valorizar os defeitos acima do que custam.
- Prazo apertado, sem segundo lugar de estacionamento, sem vontade de marcações com desconhecidos: retoma.
- Sem carro novo no mesmo stand: a simples compra por um stand é um terceiro caminho; compare várias propostas.